Fábio Olivé Leite
02/05/2008Apresentação:
32 anos, usando e investigando computadores desde os 11. Comecei nos 8 bits, e às vezes ainda sinto saudades dos computadores que nos convidavam a programá-los quase imediatamente depois de ligados (ROM BASIC é intrigante e estimula a investigação). Mestre em Ciência da Computação, mas encontrei no Software Livre o que esperava encontrar no meio acadêmico. Apaixonado por sistemas Unix livres desde 1994.
Qual foi teu primeiro contato com o Tchelinux?
Numa conversa no Cavanha's lembro de ter tido algum contato com a "primeira fase" do grupo, mas não pude me envolver. Nesta segunda "instância" estou participando em tudo o que posso desde o início. Acho que também rolou uma cerveja no Cavanha's no início desta instância.
Qual teu papel dentro do grupo?
Me proponho a ajudar em qualquer coisa. A minha falta de organização acaba fazendo com que eu ajude mais palestrando do que organizando, mas um dia eu consigo mudar isso.
O que te motiva a participar do grupo?
O objetivo de espalhar o conhecimento sem pegadinhas, egos e etc. A gente faz o que faz porque gosta, e não interessa o que cada um sabe. Interessa só o que se faz. Eu acho que o grupo ajuda a criar "fazedores" ao invés de "faladores". Quem fala muito é porque faz pouco, e no Brasil precisamos de gente que faça mais e fale menos.
Por que tu usas Software Livre?
Inicialmente eu me apaixonei por sistemas Unix, e queria rodar Unix em casa. A opção mais barata e prática (mesmo no final de 1994) era um kit de CDs do Linux, então comecei por aí.
Lembro até hoje que a primeira coisa que fiz foi um programa simples em C que alocava 1MiB de memória e a utilizava sem maiores complicações (no DOS era um stress). Foi uma experiência libertadora por si só.
Aos poucos fui vendo a grande quantidade de código que eu podia usar para ler e aprender, todas as informações a que eu tinha acesso. Aí percebi o quanto da história e da cultura da Ciência da Computação estava presente na comunidade de Software Livre e no código em si, e percebi a superioridade técnica do Software Livre.
Acho que continuo usando e propagando o Software Livre por ter encontrado uma cultura com a qual me identifiquei e pela possibilidade de fazer parte do jogo.
Na tua opinião quais são os principais problemas do Software Livre na atualidade?
Acredito que as velhas práticas do mercado e a politicagem deturpam os modelos de colaboração e crescimento propiciados pelo Software Livre. Era óbvio que aconteceria, mas não deixa de ser triste. Acho que o lado filosófico, embora importante, abre a brecha pra faladores crônicos.
Que hardware tu tens?
Trabalho (em casa):
- ThinkPad T43 com 512MiB de RAM, 40GiB de disco (Fedora);
- Dell Precision 490n com 4GiB de RAM, 160GiB de disco e 4 cores Xeon (Fedora);
Pessoal:
- Notebook genérico (Amazon PC) com 2GiB de RAM e 80GiB de disco, 2 cores Turion (amd64), (Fedora, OpenBSD);
- Estou cotando um Mac Mini PPC, provavelmente um G4 com 1GiB de RAM e uns 40GiB de disco. Vai rodar apenas OpenBSD, e servirá para estudar a arquitetura ppc, além de ser um servidorzinho web caseiro.
Não sou do tipo que roda "berilhos" e assemelhados, portanto pra fazer scroll de texto qualquer "aceleração 2D" serve.
Que sistema operacional tu usas?
Fedora e OpenBSD.
Qual teu ambiente desktop favorito?
KDE ou algum *box. Gosto da funcionalidade integrada do KDE. Geralmente rodo um desktop espartano e sem maiores luzinhas e medidores. Gosto da minha CPU trabalhando em bits úteis. :) Em modo texto e em máquinas remotas, uso screen.
Estou instalando e avaliando um "desknote" velhão que eu comprei usado pro meu filho brincar, e gostei bastante do desempenho do XFCE. Acho que vou continuar de olho nesse ambiente pras próximas instalações. Mas o KDE sempre estará nas minhas máquinas de trabalho, me sinto mais produtivo nele.
Que editor de texto tu usas?
Vim. Uso ed para editar o ~/.ssh/known_hosts quando uma máquina de testes é reinstalada (a chave está na linha 43? ed ~/.ssh/known_hosts 43 d w q, pronto)
Quais são seus aplicativos prediletos?
Vim, make, gcc, screen, cscope. No momento tenho abertos também o Firefox, mutt e xchat, além de algumas K-coisas (Koisas?) do KDE. Outros eu uso sob demanda de funcionalidade (algo que toque música, algo que mostre um filme, algo que edite uma foto, ...), mas sem me preocupar com a marca.
No trabalho uso muito o crash pra analisar vmcores (crashdumps) e wireshark ou tshark para analisar capturas de rede.
Qual a aparência do teu Desktop?
Quanto menos ícones melhor. Uma imagem bonita ou divertida (mas não chamativa) no fundo. Barrinhas e menus minimalistas e pequenos. Ou um .screenrc com hardstatus alwayson e informações úteis.
Que sites tu acessas para te manter informado?
Eu ando meio alheio ao mundo externo, numa fase mais eremita. Meu trabalho já me inunda de informações, então acabo não buscando mais nada para não me afogar. Quando dá olho o undeadly.org, kerneltrap.org e algumas listas no marc.info.
Que costumas fazer quando estás longe dos computadores?
Ler, caminhar, brincar com meu filho ou namorar. Bater longos papos filosóficos com meu pai ou amigos. Às vezes bato longos papos filosóficos computacionais com meu pai, que durante um tempo programou Fortran em cartão perfurado, entre outras coisas. Entre as máximas dele, a preferida é "Quem não sabe assembly não sabe computação, pois tudo vira assembly". Acho que eu tenho a quem puxar. :)
Recentemente comprei um jipe Willys 1957, bastante ralado. Vou recuperar ele aos poucos e passear em trilhas como hobby e terapia.
Cite uma personalidade do Software Livre
Não sou de cultuar ídolos, acho que é importante conhecer a história das coisas e perceber a contribuição de cada pessoa envolvida. Cada um tem seu papel no jogo, e mais importante que julgar o papel dos outros é compreender e praticar o nosso. Admiro mais fazedores do que faladores.
Como tu te descreves?
Discordianista, budista, iogue, co-criador, computófilo, auto-suficiente e feliz comigo mesmo, e portanto capaz de ser realmente feliz com os outros. Procuro o significado maior das coisas simples, vivo a vida como um grande aprendizado, sem dar a nada, a ninguém ou a mim mesmo uma maior importância do que é merecido. Vivo o momento, aprendendo com o passado e o deixando ir embora, e projetando o futuro que eu quero. Sou um amigo que não telefona mas quando está junto está junto de verdade
Palavras finais:
Leia mais livros. :).
